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 Os Riscos de um OverClock

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MensagemAssunto: Os Riscos de um OverClock   Seg Ago 13, 2012 8:58 pm

Este tutorial não visa ensinar ninguém a fazer overclocks a partir de conceitos básicos, mas sim ajudar aqueles que têm dúvidas em relação à integridade dos seus componentes, e que de certa forma saibam o que estão fazendo e saibam os riscos em overcloks*

Certamente quem já fez, não pensa em parar. O overclock é uma técnica tentadora e por vezes arriscada, sendo por esta razão motivo de muitas controvérsias em relação aos riscos e à vida útil de cada componente que trabalha num ritmo "não usual", em relação ao benefício obtido. O modo com que cada usuário lida com seu equipamento é bem particular, e não é raro que os overclocker's de plantão tenham tido pelo menos uma decepção em toda uma longa carreira de audácia e, porque não, irresponsabilidade. Isso não quer dizer que fazer com que um componente trabalhe numa freqüência acima da especificada irá necessariamente causar danos irreparáveis ao hardware. Isso dependerá de vários fatores, os quais iremos conferir a seguir:


1. Vida útil do componente

Aqui entra uma questão muito discutida. Quem usa e abusa do overclock no cotidiano alega que não quer que seu componente dure para sempre, ou seja, ele estará provavelmente obsoleto bem antes do fim de sua vida útil, valendo, de qualquer forma, uma mixaria para revenda. E o desgaste acelerado do overclock seria atribuído erroneamente a um desgaste natural do equipamento, portanto uma pessoa com conhecimentos limitados em informática compraria esse aparato (usado) já em estado terminal, com uma perspectiva de uso limitada.

- Questão: Por que a vida útil é reduzida?

Pelo fato de muitas vezes ser necessário elevar-se a voltagem do núcleo de um processador (o VCore) na BIOS da placa mãe ou por jumpeamento (placas mais antigas), para se obter estabilidade. Isso faz com que a temperatura se eleve consideravelmente, principalmente nos processadores da linha AMD, sendo os Athlons XP bons exemplos disso. Os Durons se aquecem menos, por terem o cache L2 (uma memória presente internamente no processador) reduzido, de apenas 64Kb, e trabalharem numa voltagem de núcleo menor. A maioria dos processadores Intel de médio e alto custo conseguem uma margem de overclock mais elevada em relação à freqüência padrão. As versões Athlon XP Mobile (para portáteis) são cobiçadas por trabalharem numa mesma frequência, porém com uma voltagem menor, por isso a temperatura é razoavelmente mais baixa em relação aos processadores Desktop (computadores caseiros), conseqüentemente dando uma margem muito boa de overclock. Vale lembrar que a temperatura se eleva mesmo com a voltagem do núcleo inalterada, bastando para isso que a freqüência seja elevada sensivelmente acima da configuração de fábrica.

- Questão: O quanto a vida útil é reduzida?

Obviamente, depende de quão arrojado foi o seu overclock. Estima-se que um processador dure cerca de 10 a 20 anos, dependendo do fabricante, da geração e do modelo do processador, o que justifica essa margem de variação tão grande. Em overclock pleno, estima-se que a vida útil seja reduzida para cerca de 4 a 8 anos, podendo ser muito mais ou muito menos que isso, dependendo, mais uma vez, de quanto foi a elevação da frequência de operação do componente. Essa prospectiva é extremamente discutível.


2. Elevação dos barramentos PCI e AGP ao se elevar o FSB (freqüência externa) do processador

Para quem não sabe, o FSB do processador é a freqüência com que o mesmo acessa outros componentes, como dispositivos PCI, IDE, memórias e dispositivo AGP. A porta IDE é conectada internamente ao barramento PCI. Ao se elevar o FSB de um processador, esteja ciente que você está levando "no vácuo" outros componentes do seu computador no overclock, algo que é na maioria das vezes indesejável. Suponha que seu processador tenha um FSB de 333 MHz (portanto, 166 DDR) e você queira elevar o FSB para 400 MHz. Tenha em mente que o barramento PCI se elevará proporcionalmente, podendo acarretar efeitos colaterais importantes, como a corrupção de arquivos de sistema ou mesmo danos aos dispositivos em overclock indireto.

- Questão: O quanto o barramento PCI se eleva, e qual o seu padrão?

O barramento PCI funciona normalmente na freqüência de 33 MHz. Para saber qual foi a elevação relativa desse barramento, devemos saber qual é a freqüência externa original do processador.

FSB 100 MHz: o divisor é 3, ou seja, um terço da freqüência externa do processador equivale ao barramento PCI;

FSB 133 MHz: o divisor é 4, ou seja, um quarto da freqüência externa do processador equivale ao barramento PCI;

FSB 166 MHz: o divisor é 5, ou seja, um quinto da freqüência externa do processador equivale ao barramento PCI;

FSB 200 MHz: o divisor é 6, ou seja, um sexto da freqüência externa do processador equivale ao barramento PCI;


Notem que essas freqüências estão em padrão SDR, para processadores DDR basta multiplicar por 2 ou para processadores QDR, multiplicar por 4 cada FSB supracitado.


- Questão: Como deve ficar o meu barramento PCI para um overclock seguro?

A prática diz que ~37 MHz é o limiar médio de segurança para um overclock seguro de FSB de processador. Além desse patamar, tudo se torna altamente arriscado e começa a valer a pena investir num overclock de multiplicadores, se o seu processador for destravado, claro, já que isso eleva somente a freqüência interna do mesmo. Naturalmente, o processador se aquecerá ainda mais, porém sem comprometer outros componentes consigo.

- Questão: E o barramento AGP?

Basta multiplicar a freqüência do barramento PCI por 2. Normalmente, é de 66 MHz, e se elevará nas mesmas proporções citadas acima.


3. AGP/PCI lock

Esse recurso é uma mão na roda para os overclocks de FSB, pelo fato de travar os barramentos PCI e AGP em respectivamente 33 MHz e 66 MHz, independente da elevação do clock externo do processador. Infelizmente, isso só está presente em placas-mãe mais modernas, podendo ser setado na BIOS ou mesmo já vir travado de fábrica. Os chipsets que têm esse recurso estão listados a seguir:

N-force 3 150 Cuidado: a Anandtech ( http://www.anandtech.com ) alega que muitas placas com esse chipset apresentam falhas no controle do barramento PCI. Segundo eles, o PCI/AGP lock é "fálil".

n-Force 2 400

n-Force 2 400 Ultra

Via KT880

Via K8T800 PRO

n-Force-250Gb

SiS 746 FX

SiS 748

(sujeito a atualizações)


4. Memórias RAM no overclock de processador

Ratificando, não há problema algum em se elevar a freqüência interna de um processador em relação a quaisquer outros componentes do computador. Entretanto, em overclock's de FSB, a memória RAM deve receber atenção especial, pois ela pode segurar o desempenho do sistema caso não seja adequada a operar em determinada freqüência. Exemplificando, uma memória DDR que seja designada de fábrica a trabalhar em 266 MHz (133 DDR) não pode se deparar com um processador em FSB 400 MHz, por exemplo. Isso automaticamente deixaria a memória em overclock, já que o processador faria o acesso a memória em 400 MHz, o que é pelo menos absurdo, nesse caso. Por serem relativamente baratas em relação ao preço total do computador, eu particularmente prefiro investir sempre nas memórias de maior freqüência suportada pelo chipset da placa mãe, já que a diferença de preço em relação a memórias de mesma capacidade porém com freqüências inferiores é muito pequena. Seria um
desperdício deixar que o desempenho do sistema todo seja totalmente subordinado às memórias. Obviamente, um processador nativamente trabalhando em 400 MHz (200 DDR) é igualmente prejudicial às memórias de clock inferior, independente de uso ou não de overclock. Se o processador trabalha nativamente em FSB 266 MHz e sofre overclock para FSB 333 MHz, tendo-se uma memória DDR 400 (PC 3200), não há o menor problema, pelo menos com relação à memória.


- Questão: Eu aumentei o FSB do meu processador Athlon XP 2800+ FSB 333 até 400 MHz. Porém eu quero mais que isso, até onde posso "espremer" minhas memórias DDR 400? Minha MB é a ASUS A7N8X-X.

Em primeiro lugar, o chipset da placa-mãe só suporta oficialmente até 400 MHz, portanto ele estaria trabalhando numa freqüência além da que lhe foi designada. Isso causaria um aquecimendo maior do chipset, e provavelmente instabilidade. Em relação às memórias, tudo vai depender da qualidade das mesmas, as genéricas habitualmente possuem um limite muito próximo da freqüência de fábrica, uma memória muito cara teria um limite médio razoavelmente maior, além de operar em latências menores (o que é melhor).


5. Temperatura do processador

A pergunta que mais se vê em relação ao overclock de processadores provavelmente é relacionada à temperatura. Qual seria a temperatura ideal para um Pentium 4 ? E para um Athlon XP ? E para um Pentium 3 ? Essas perguntas não têm uma resposta definida por um valor fixo, mas sim por um intervalo aproximado e que está dentro do aceitável. Para se ter noção de temperaturas, em primeiro lugar deve-se ter em mente uma maneira segura de aferi-las, assim evitando equívocos como subestimar a temperatura do processador por não estar consultando a fonte correta. Um programa prático porém bastante completo é o MBM5, o site oficial do programa é este: http://mbm.livewiredev.com/ e aqui vai um tutorial para configurá-lo:

Configurando o MBM5

O ideal seria que a temperatura do diodo interno de um processador como o Athlon XP, colhida diretamente de um sensor que já vem no próprio processador, não ultrapassasse cerca de 60°C. Na prática, algumas pessoas atingem cerca de 65 ou até mais de 70°C sem evidências de instabilidade. Nada garante que a durabilidade do produto não esteja sendo comprometida gradativamente, pois o desgaste é maior quanto maior for a temperatura. Nos Pentiums 4, com poucas exceções (como os últimos Prescott), a temperatura do diodo deveria ficar em torno de 50-55°C. Mais uma vez, nada impede que temperaturas bem mais altas sejam atingidas sem evidências imediatas de instabilidade. Caso sua placa-mãe não tenha aferência da temperatura do diodo, adicione na temperatura do soquete (vide BIOS, AIDA32, SiSoftware Sandra, ASUS Probe e similares) cerca de 10°C quando o processador estiver em ócio, e cerca de 15°C quando o processador estiver trabalhando ao máximo (full). A margem de erro é grande, se este for o seu caso.

Para se obter uma temperatura confortável é indispensável ter um gabinete bem refrigerado além de um bom cooler. Na prática, uma ventoinha de exaustão na traseira do gabinete, abaixo da fonte, reduz com eficácia a temperatura interna do gabinete. Teoricamente um cooler na dianteira ventilando o gabinete de fora para dentro reduziria a temperatura interna do mesmo, porém na prática muitas pessoas têm tido experiências ruins com um cooler dianteiro, portanto eu sou um dos que não recomenda a instalação de um cooler na dianteira do gabinete jogando ar para dentro do mesmo.

Para resfriar o processador, um cooler de bom custo/benefício é o VCom 21B com base de cobre, ou o 19B, alguns ainda recomendam o 39B. No fórum de coolers e dissipadores, existem tópicos fixos que explicam com abundância de informações a respeito de como melhorar o desempenho de um cooler por meio de lapidação e também há um review interessante do VCom 19B. Eu recomendo usar o mecanismo de busca caso queiram um cooler mais caro e robusto. Também não vou entrar em detalhes de como passar pasta térmica ou outras maneiras de reduzir a temperatura do gabinete. Pesquisem!


6. Danos à placa-mãe e à fonte

Para se fazer um overclock decente, a grande maioria dos overclocker's sabe que é necessário ter uma ótima fonte e uma placa-mãe que não meta o bedelho no meio da história. Ela tem que permitir o máximo de opções de configuração sem interferir negativamente no desempenho ou estabilidade do sistema. Claro, dentro dos padrões aceitáveis. Caso a fonte seja inadequada, como uma fonte genérica de 400 Watts, a tendência é que uma configuração robusta extrapole com folga a potência real máxima desse tipo de fonte, que não costuma ser maior que 280 Watts na maioria dos casos. Com overclock, adição de VCore e VDimm (voltagem nas memórias RAM), o consumo de energia fica exacerbado, a ponto de poder causar uma sobrecarga na fonte, que em vez de apenas pifar de vez, pode levar consigo outros componentes, num último suspiro que se caracteriza por um overvolt generalizado... quem passou por isso não guarda boas recordações, sorte daqueles que perderam apenas a fonte. Claro que alguns sinais, como a máquina desligando aleatoriamente durante aplicativos que exigem muitos recursos do computador, podem ser indícios de que a fonte precisa ser trocada. Isso não deve ser confundido com o mecanismo normal de Shutdown que algumas placas-mãe apresentam, desligando-se automaticamente caso certa temperatura do processador seja alcançada, evitando (ou pelo menos com essa intenção) danos ao processador. Vejam no MBM5 como andam as voltagens dos componentes, se os valores estiverem oscilando demais ou estiverem cerca de 5% ou mais discrepantes da voltagem padrão especificada, é sinal de perigo. Alguns referem cheiro de queimado no ambiente, o que leva a pensar em superaquecimendo ao extremo da fonte. Algumas fontes possuem sensores de rotação do seu cooler, que pode ser útil para prevenir ou reportar uma falência do mesmo. Mais detalhes são encontrados no fórum de fontes.

Atenção: em placas-mãe com chipset n-Force 2, é referido um erro de gravação da BIOS que pode ocorrer caso o sistema esteja instável durante a gravação, por exemplo, durante um overclock arrojado de FSB. Nem todas as placas-mãe possuem o recurso de se iniciar em segurança com a tecla INSERT pressionada, portanto estejam cientes de que há um risco sério de ter que trocar a BIOS caso haja exagero. No fórum de placas mãe, procurem um tópico destacado a esse respeito.


7. Estabilidade

Um sistema instável pode ser altamente seguro, acreditem. No caso de overclocks avantajados, o processador necessita de um aumento de VCore a partir de certo ponto, portanto ele ficará mais estável porém com a temperatura mais elevada a medida que o VCore se eleva. Portanto, a estabilidade foi consolidada ao mesmo tempo que a durabilidade foi comprometida, caso não se tenha um ótimo sistema de refrigeração do processador e do gabinete. Concluimos aqui que estabilidade está longe de ser indício de segurança, e o contrário também é verdadeiro. Como o intuito do tópico é enfocar aspectos de segurança, a discussão sobre a estabilidade do overclock para por aqui. Caso queiram testar o sistema, usem o PCmark, 3Dmark 2001 SE e Benchmarks de stress do SiSoftware Sandra.


8. Vale a pena?

Na minha opinião, o overclock não basta ser estável, mas tem que ser confortável. Seguindo-se cuidadosamente os limites de cada componente, enxergando o computador como um todo, e não apenas o processador, as chances de que o overclock funcione são maiores. Caso se pense apenas na temperatura do processador, pode-se estar comprometendo seriamente a integridade dos dados do disco rígido ou mesmo a integridade física de outros componentes, como foi explanado aqui. A palavra 'paciência' e a expressão 'bom-senso' são as que melhor se encaixam na filosofia do overclock. Nunca se deixe levar pelo que parece fácil. Quando a estrada parece boa, a beira do abismo está logo adiante.

por tanto pense muito antes de fazer um overclock.

Boa sorte!
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